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Recados

  1. Primeiro, um recado para os assinantes deste blog que também gostam do Doctor Mirabilis (http://doctormirabilis.blogspot.com.br/):  algumas pessoas se cadastraram no Google Friend Connect como seguidoras mas não receberam notificação nenhuma até hoje, apesar das 47 postagens – e as fotos delas desaparecem e aparecem inexplicavelmente do quadro de seguidores.  Por causa disso, adicionei um Feed RSS e também a possiblidade de receber as postagens por e-mail.  Está dando muito certo, pelo que me disseram.  Quem quiser, é só ir lá conferir.
  2. Como o Inacreditável Mundo tem se concentrado nas minhas miniaturas, achei que caberia aqui um aviso: vou estar na Jornada de Psicologia da Universidade Estácio de Sá, no Campus Rebouças, no dia 19/4/2012, falando sobre um tema que venho pesquisando há anos e que foi também meu trabalho de conclusão do curso de Psicologia.  O título é: Brincando de Soldado: o fascínio pela guerra à luz da psicologia.  Falarei sobre filmes, jogos de guerra, revistas, miniaturas etc.  Ainda não tenho o horário, mas logo que tiver, divulgarei aqui.  Eu sou suspeito para falar, mas acho que vai ser bem interessante…

Doctor Mirabilis

Prezados amigos,

gostaria que conhecessem meu novo blog: http://doctormirabilis.blogspot.com/

Trata de literatura, ciência, história, mitologia, filosofia, psicologia e temas curiosos – tudo acompanhado por boas dicas de livros sobre estes e outros assuntos.

O título do blog, “Doctor Mirabilis”. é uma homenagem ao monge franciscano medieval Roger Bacon (1214 — 1294), que recebeu essa alcunha.  O ilustre frade tinha uma vasta gama de interesses e acreditava que a natureza podia ser compreendida pela observação e experimentação.

Espero que gostem de ler os posts tanto quanto estou gostando de escrevê-los.

Um abraço,

Fred Oliveira

 

Escala: 1/72

Fabricante: Strelets

Hoje dividi as informações em dois tópicos: um, de cunho histórico,  sobre o uso do gás como arma na Primeira Guerra Mundial, e outro sobre as figuras da Strelets, que são um pouco problemáticas…

1. O gás como arma

O uso de gás na Primeira Guerra começou em 22/4/1915, quando os alemães usaram cloro num ataque em Ypres.  O cloro deixava os pulmões das vítimas tão irritados que se enchiam de fluido, causando uma morte similar ao afogamento. No dia seguinte (23) os franceses começaram a pesquisar formas de proteção, mas só tiveram sucesso a partir do dia 25, quando identificaram o gás. Os soldados receberam garrafas com uma mistura de hipossulfito de sódio e hidrato alcalino numa solução de glicerina para umedecerem as máscaras, ainda bem precárias.  Além disso, respiradores do tipo utilizado em minas foram fornecidos para uso de oficiais e de pessoas em posições consideradas especialmente relevantes.

Os ingleses já suspeitavam que se tratasse de cloro desde 23 de abril, e usavam panos embebidos em solução de bicarbonato de sódio amarrados em volta da cabeça. A versão manufaturada era  conhecida como “véu negro” (feita com o tecido usado pelas viúvas em seus véus, bastante disponível na época). Depois foi desenvolvido o “hypo helmet”, que cobria a cabeça toda, dando melhor proteção. Os franceses usavam uma adaptação deste último chamada Compresse.

Ainda em 1915, os ingleses desenvolveram o Capacete P, que oferecia proteção contra um número maior de gases, e em 25 de setembro daquele ano o exército britânico lançou seu primeiro ataque do gênero, na Batalha de Loos.

Também em setembro, os alemães começaram a usar a Linienmask, com filtro substituível – bem prática e versátil, embora tivesse a desvantagem de acumular o dióxido de carbono expirado pelo usuário.

Tanto as armas químicas como a proteção contra elas não pararam de se desenvolver.  Os alemães começaram a atacar com fosgênio, os ingleses criaram o capacete PH, e assim sucessivamente.

Estima-se que o número de mortos ou feridos por agentes químicos tenha chegado a um milhão.  De fato, o gás era uma arma bem adequada à guerra de trincheiras, devido à baixa mobilidade das tropas.  Com o Tratado de Versalhes, os alemães foram proibidos de usar gases tóxicos, e o Protocolo de Genebra, em 1925, vedou totalmente o uso de armas químicas e bacteriológicas.  Embora não tenha havido ataques de gás na Segunda Guerra, a possibilidade não era descartada. Os soldados alemães, por exemplo, levavam máscaras numa lata cilíndrica presa ao uniforme.

Um efeito secundário da pesquisa de gases tóxicos foi o desenvolvimento do Zyklon B, usado nas câmaras de gás nos campos de concentração.  Ironicamente, o cientista responsável por essa invenção terrível, Fritz Haber, ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1918.

JONES, Simon et al. World War I Gas Warfare. Westminster, USA: Osprey, 2007

2. Sobre as miniaturas

Não sou muito fã da marca Strelets. As figuras são toscas e há detalhes desproporcionais, como algumas das armas e os estojos para máscaras. Não dá pra comparar com verdadeiras obras de arte como as figuras da Caesar, ou mesmo com algumas de nível intermediário, como da Hät.

De qualquer forma, é o único fabricante que tem figuras usando máscaras de gás, e são razoavelmente corretas em termos de autenticidade histórica.  Assim, achei interessante incluir esses soldados.

Dois soldados russos com um fuzil antitanque semiautomático
Simonov PTRS-41.  Essa arma utiliza projéteis de 14,5 mm capazes de perfurar
uma blindagem de 40 mm a 100 metros de distância, e é efetiva até 800 metros.

O tanque é um Panzer III Ausf. G, alemão.

Escala: 1/72

Exército dos Estados Confederados

Exército da União

Embora a regra fosse o uso do cinza pelos confederados (estados do Sul) e do azul pela União (estados do Norte), na verdade havia muitas variações.

O histórico regimento denominado “Washington Artillery” (141º Regimento de Artilharia de Campanha) era baseado na Virgínia do Norte e no Tennessee e, portanto, lutava pelos confederados, mas usava azul. Os zuavos usavam vermelho e azul; algumas unidades usavam verde, como os Alexandria Rifles.  Alguns confederados usavam um tom de marrom, conhecido como “butternut”.  Além disso, com o desenrolar da guerra, não era incomum que soldados do Sul, movidos pela necessidade, utilizassem chapéus civis e calças tomadas de inimigos mortos.  As tonalidades também tinham variações, seja pela origem do tecido, seja por fatores como lavagem, exposição ao sol, desgaste, sujeira etc.  Ainda assim, o cinza que eu usei talvez tenha ficado um pouco escuro demais, apesar de ser “light grey”.

Artilharia

Artilharia Francesa

Napoleão foi oficial de artilharia.  Aliás, formou-se em metade do tempo na École Militaire em Paris, o que deve ter sido o resultado de um grande esforço.   Afinal, a artilharia era conhecida como “a arma erudita” devido a toda a matemática envolvida, e Napoleão foi examinado pelo grande matemático Laplace.

Após a graduação (1785) , o futuro imperador foi designado para servir no regimento de La Fère, em Valença-sobre-o-Ródano, e mais tarde, após um longo período de licença na Córsega,  foi para o regimento de Auxonne, ligado à Escola de Artilharia (1788).   Em 1793, seu desempenho comandando a artilharia no  cerco de Toulon assegurou-lhe a promoção a General de Brigada – extraordinário para um jovem de 24 anos.

As figuras da foto representam a guarnição de um canhão francês no período napoleônico, mas não necessariamente o próprio Bonaparte.

 

Antoine Charles Louis Collinet, conde de Lasalle

(10 de maio 1775 – 6 de julho de 1809)

Antes de falarmos de Lasalle, convém dizer algumas palavras
sobre os hussardos.

Originalmente, o termo se aplicava a um tipo de cavalaria
ligeira húngara do Século XV.  A partir
de então, regimentos de hussardos foram adotados em diversos países, como na
Prússia, Bavária, Polônia, França e Espanha.
Meu xará Frederico, o Grande, utilizou-os amplamente na Guerra da
Sucessão Austríaca.  Tradicionalmente,
todos usavam bigodes.

Os hussardos cultivavam uma reputação de serem destemidos,
brigões, beberrões e mulherengos.
Lasalle era o estereótipo do hussardo, e fazia questão de manter essa
imagem.  Ficou famosa a sua frase: “Um
hussardo que não tenha morrido até os 30 anos é um canalha.”

Lasalle ficou conhecido por inúmeras proezas, como cruzar as
linhas inimigas para passar a noite com uma amante.  Participou de diversas campanhas: Itália,
Egito, Espanha, Prússia, Polônia e Áustria.
Esteve na tomada de Malta, na Batalha das Pirâmides, em Austerlitz,
Rivoli, Eylau, Heilsberg,  Golymin e
muitas outras.

Morreu na Batalha de Wagram, atingido entre os olhos por um
soldado austríaco desconhecido.  Seus
restos mortais estão nos Invalides, em Paris.